29/08/2011

O DOSSIÊ DO CHOCOLATE


Alguns alimentos do dia a dia são verdadeiras preciosidades para a saúde. O chocolate é um deles. Em um relatório apresentado este ano na reunião anual da Associação de Cardiologia dos Estados Unidos, em Chicago, os pesquisadores afirmaram que o chocolate, em pequenas quantidades, pode reduzir o risco de ataque cardíaco por diminuir a tendência de coagulação das plaquetas, processo responsável por obstruir os vasos sanguíneos.
Chocolate dá prazer e energia, mas deve ser consumido com moderação

“Os benefícios do chocolate ocorrem devido aos nutrientes fitoquímicos que estão presentes na semente do cacau, como os flavonóides e a teobromina”, explica a nutricionista Patricia Ramos, coordenadora do serviço de nutrição e gastronomia do Hospital Bandeirantes, de São Paulo. Os flavonóides são capazes de reduzir o colesterol ruim (LDL) e podem impedir a arteriosclerose, processo degenerativo que entope progressivamente as artérias.
“Só é preciso cuidado com o excesso”, alerta o cardiologista e nutrólogo Daniel Magnoni. Isso porque o chocolate é rico em gordura e açúcar e bastante calórico: 100 gramas do produto contêm de 475 a 560 calorias, dependendo do tipo.
“O consumo excessivo também pode causar taquicardia leve devido uma substância chamada xantina, que pertence ao mesmo grupo da cafeína (alcalóides)”, diz a nutricionista Patricia Ramos.
Superfruta
Sabe-se que as frutas contêm antioxidantes benéficos à saúde. Agora uma nova pesquisa publicada no periódico Chemistry Central Journal demonstra que o chocolate é uma fonte rica em antioxidantes e pode conter mais polifenóis e flavonóides do que o suco de fruta.
Quando os investigadores do Hershey Center for Health & Nutrition compararam, grama por grama, a atividade antioxidante do cacau em pó com a das frutas descobriram que o teor de flavonóides era maior no cacau.
Da mesma forma, quando analisaram a quantidade de antioxidantes por porção de chocolate amargo, chocolate ao leite, chocolate quente e suco de frutas, descobriram que o chocolate amargo e o ao leite tinham maior capacidade antioxidante e mais flavonóides no total, além de polifenóis, do que o suco de frutas. Já o chocolate quente, devido ao processamento (alcalinização) do chocolate, tinha teores menores.
"As sementes do cacau são uma ‘superfruta’, com grande valor nutritivo, além de uma composição de macronutrientes”, disse Debra Miller, principal pesquisadora do estudo. Uma grande notícia para quem ama chocolate.
Tira-dúvidas
As nutricionistas Gabriella Guerrero, da Nutriessencial Consultoria, de São Paulo, e Patricia Ramos, do Hospital Bandeirantes, respondem a seguir as principais questões sobre o alimento, para você manter a forma e a saúde.
Qual a composição (para 100 g do produto) das diversas formas de chocolate?
Chocolate ao leite: composto de massa de cacau, açúcar, leite e manteiga de cacau. 540 calorias e 30,3% de gordura (normal) e 557 calorias e 33,8% de gordura (diet).
Chocolate meio amargo: tem grande concentração de massa de cacau, além de manteiga de cacau e pouco açúcar. 475 calorias e 29,9% de gordura.
Chocolate branco: manteiga de cacau (em vez de massa de cacau), açúcar, leite em pó e gorduras do leite. 536 calorias e 31,5% de gordura.
Chocolate em pó: trata-se de amêndoa de cacau ralada destituída da manteiga de cacau. Pode ser amargo (recebe o nome de cacau em pó), meio amargo e doce. 510 calorias e 50% de gordura.
Qual a diferença entre diet e light?
O chocolate diet é um produto específico para indivíduos com doenças que necessitem da restrição de açúcar, como os diabéticos. “Ele não é recomendado nas dietas de emagrecimento, pois seu teor de gordura é maior que o chocolate normal, fazendo com que tenha a mesma quantidade de calorias ou até mais que o produto normal. Já a versão ligth tem, no mínimo, 25% menos de algum nutriente – na maioria das vezes menos gordura. Assim, o valor calórico é menor do que o do normal e do diet”, explica Patricia Ramos.
Qual o melhor tipo? 
“Pesquisas apontam que os chocolates meio amargo e amargo ajudam a controlar o impulso por doces, devido a maior concentração de cacau como a 2-feniletilamina e a N-aciletanolamina, que agem no cérebro ajudando a bloquear receptores que pedem açúcar”, explica Gabriella Guerrero. Ambos ainda contêm altíssima concentração de flavonóides, como as catequinas, antioxidantes que agem na preservação das artérias do coração.
É possível manter o chocolate em uma dieta de emagrecimento?
Sim, porém com moderação. O chocolate contém muita gordura em sua composição, que pode ser traduzida em altas calorias. “O amargo e o meio amargo são menos calórico, seguidos pelo ao leite e, por último, o branco, de acordo com a quantidade de gorduras que contêm”, diz Gabriella. “Recomendo de 25 a 30 gramas ao dia, no máximo três vezes por semana”, completa Patricia.
Chocolate faz mal para a pele?
Isso é um mito. Não existe na literatura médica qualquer descrição do chocolate como causador da acne”, afirma Gabriella Guerrero. Os principais fatores desencadeantes para o problema seriam desequilíbrios hormonais, medicamentos que alteram a quantidade ou tipo de gordura na pele (como hormônios, vitaminas e anabolizantes), sol e filtros solares ou outros cosméticos gordurosos.
Chocolate ajuda a combater a TPM? 
Segundo a nutricionista Patricia Ramos, tanto pode melhorar como agravar a tensão pré-menstrual. “O chocolate tem cafeína, que é um estimulante, deixando as mulheres mais ‘agitadas’. Por outro lado, contém o mineral magnésio que auxilia na diminuição da irritabilidade e o aminoácido triptofano, precursor da serotonina – neurotransmissor responsável pelo bom-humor e pela sensação de prazer. O melhor é consumir com moderação nesta fase, até para evitar o excesso de calorias também”.
Chocolate dá energia? 
Sim, o chocolate tem em sua composição a cafeína e a teobromina que exercem uma ação energética que incide na concentração e capacidade física de quem o consome em quantidades moderadas, explica Patricia.




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