24/03/2017

PUTIN SE REÚNE COM A ULTRADIREITISTA FRANCESA MARINE LE PEN EM MOSCOU

Vladimir Putin cumprimenta Marine Le Pen, presidenciável da extrema direita francesa, no Kremlin
Mikhail Klimentyev/Associated Press

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu nesta sexta-feira (24), pela primeira vez no Kremlin, a líder da extrema direita francesa e candidata presidencial Marine Le Pen.
Putin assegurou, no entanto, que a "Rússia não interferirá na eleição", segundo declarações divulgadas pelas agências russas.

"Não queremos, em caso algum, ter qualquer influência em acontecimentos futuros, mas nos reservamos o direito de nos comunicarmos com todos os representantes de todas as forças do país, como fazem nossos parceiros europeus ou os Estados Unidos", declarou o presidente russo.

"É interessante discutir a forma de desenvolver nossas relações bilaterais e a situação na Europa. Sei que a senhora representa um espectro político europeu que evolui muito rápido", acrescentou, dirigindo-se a Le Pen.

É algo excepcional que Putin receba um candidato presidencial em uma data tão próxima da votação –o primeiro turno ocorrerá em 23 de abril, e o desempate em 7 de maio.

Segundo o costume e protocolo, ele deveria receber apenas chefes de Estado de seu escalão ou, ocasionalmente, chefes de Governo com regime parlamentar.

"Sou partidária de desenvolver relações com a Rússia dentro da longa história que une nossos países", afirmou Le Pen no encontro.

Ela lidera as pequisas de intenção de voto para o primeiro turno nas eleições francesas.

Junto a outros líderes europeus de extrema direita, Le Pen defende uma aproximação em relação a Putin não se opõe à anexação pela Rússia da península ucraniana da Crimeia, realizada em 2014.


PERFIL: VLADIMIR PUTIN


Vladimir Vladimirovitch Putin (russo: Влади́мир Влади́мирович Пу́тин), (Leningrado, 7 de outubro de 1952), é o atual presidente da Rússia, além de ex-agente do KGB no departamento exterior e chefe dos serviços secretos soviético e russo, KGBe FSB, respectivamente. Putin exerceu a presidência entre 2000 e 2008, além de ter sido primeiro-ministro em duas oportunidades, a primeira entre 1999 e 2000, e a segunda entre 2008 e 2012.

Putin tem governado a Rússia desde a renúncia de Boris Iéltsin, em 1999. Seu primeiro governo foi marcado por profundas reformas políticas e econômicas, pelo estadismo, por novas tensões com os Estados Unidos e Europa Ocidental, pela rigidez com os rebeldes chechenos e pelo resgate do nacionalismo russo, atitudes que lembram em parte o regime soviético e oczarismo. 

Entre os eventos mais notáveis de seu governo, estão o decreto que permite a indicação dos governadores dos distritos russos pelo próprio presidente, a restauração do controle russo sobre a república separatista da Chechênia, o fim do colapso econômico russo, a estatização de setores estratégicos que até então estavam nas mãos dos oligarcas russos e as consequentes prisões de muitos deles e vários desacordos diplomáticos com a OTAN, sendo os mais memoráveis deles a discussão quanto ao estabelecimento de mísseis no Leste Europeu, que levou Putin a criticar publicamente a política internacional norte-americana, e o apoio russo aos separatistas na Ucrânia, após este país ter se alinhado à Aliança Atlântica. 

Por dezesseis anos, Putin foi oficial do KGB, o serviço secreto da União Soviética, chegando à patente de tenente-coronel. Ele se aposentaria das atividades militares para ingressar na política, em sua cidade, São Petersburgo, em 1991. Mudou-se para Moscou em 1996, para que fizesse parte da administração do então presidente Boris Iéltsin, na qual cresceu rapidamente, tornando-se presidente interino em 31 de Dezembro de 1999, quando o presidente Iéltsin renunciou ao cargo inesperadamente. Putin venceria a eleição do ano seguinte, tornando-se de fato Presidente da Rússia, sendo reeleito em 2004. 

Putin foi impedido de concorrer para um terceiro mandato em 2008, já que, na época, a Constituição russa só permitia dois mandatos consecutivos. Assim sendo, seu aliado Dmitri Medvedev seria seu sucessor, o que levaria à escolha de Putin como primeiro-ministro do país, cargo que ele manteve até o final da presidência de Medvedev. Em Setembro de 2011, Putin anunciou que concorreria a um terceiro mandato nas eleições do ano seguinte, gerando diversos protestos nas principais cidades do país. Como esperado, Putin foi reeleito por mais seis anos, em seu terceiro mandato, que tem fim previsto para 2018. 

Putin tem sido amplamente responsabilizado pelo retorno da estabilidade política e do progresso econômico da Rússia, pondo fim à crise dos anos 1990. Durante a primeira gestão de Putin (1999-2008), o lucro real aumentou em fator 2.5, e os salários mais que triplicaram. O desemprego e a pobreza caíram em mais da metade, e a satisfação de vida da população russa aumentou significantemente. O primeiro governo de Putin foi marcado pelo grande crescimento econômico: a economia russa cresceu diretamente em oito anos, observando um aumento de 72% no PIB. Essas conquistas foram atribuídas pelos analistas à boa gestão macroeconômica, a importantes reformas fiscais, ao aumento do fluxo de capitais, ao acesso às finanças externas de baixo custo e a um aumento de cinco vezes no preço do petróleo e gás, que constituem os principais produtos de exportação da Rússia. 

Como presidente da Rússia, Putin transformou em lei um aumento de 13% na taxa proporcional da receita, uma taxa reduzida de impostos sobre a receita, e novos códigos legais territoriais. Como primeiro-ministro, Putin foi responsável por reformas militar e policial de larga escala. Sua política energética afirmou a posição da Rússia como superpotência em energia. Putin apoiou indústrias de alta-tecnologia como as nucleares e de defesa. Um aumento no investimento de capital estrangeiro[25]contribuiu pela explosão em certos setores, como na indústria automotiva. O desenvolvimento sob Putin incluiu a construção deoleodutos e gasodutos, a restauração do sistema de navegação por satélite GLONASS e a construção de infraestrutura para eventos internacionais.

Na Rússia, a liderança de Putin goza de considerável popularidade, com altas taxas de aprovação geral.


Nenhum comentário:

Postar um comentário